quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Português - Biografia de Joaquim Pedro de Oliveira Martins

n.      30 de abril de 1845.
f.       21 de agosto de 1894.

Escritor, jornalista, deputado, ministro de Estado, sócio da Academia Real das Ciências, vice-presidente da Junta do Crédito Publico, etc.

Nasceu em Lisboa a 30 de abril de 1845, onde também faleceu a 21 de agosto de 1894. Era filho de Francisco Cândido Gonçalves Martins, oficial da Junta do Credito Publico, e de sua mulher, D. Maria Henriqueta Morais de Oliveira; neto paterno do desembargador Joaquim Pedro Gomes de Oliveira, que foi por duas vezes ministro do rei D. João VI, e membro do governo supremo do Reino em 1820 até à constituição das cortes, em 26 de janeiro de 1821.

Cursou as aulas do Liceu Nacional de Lisboa, chegando a fazer alguns exames. Seus pais desejavam que seguisse a carreira militar estudando engenharia, mas por infelicidade ficou órfão aos doze anos de idade, porque seu pai faleceu em 1857, vítima da febre-amarela, que nesse ano assaltou a capital, deixando viúva e seis filhos em más circunstâncias. Faltando-lhe recursos, teve de interromper os estudos, dedicando-se à vida comercial para angariar meios de subsistência, exercendo desde então no comércio ou na indústria diversos empregos. 

Através duma vida difícil, mas guiado pelo amor de sua mãe, foi completando a sua educação literária, até que em 1870 se empregou nas minas de Santa Eufémia, de Córdova, e partindo nesse ano para Espanha, ali se conservou até 1874, ano em que veio para o Porto, onde fixou residência, conseguindo o lugar de director da exploração do caminho de ferro do Porto à Povoa do Varzim e Vila Nova de Famalicão. Em 1878 apresentou-se no concurso aberto pela Academia Real das Ciências de Lisboa, com a memória relativa à Circulação fiduciária, que lhe valeu o prémio da medalha de ouro da mesma academia, e o título de sócio correspondente. Em 1880 foi eleito presidente da Sociedade de Geografia Comercial do Porto, de que se demitiu dois anos depois, em 1882, sendo-lhe então conferido o título de presidente honorário. Nesse mesmo ano a Real Academia, de Espanha lhe conferiu o diploma de sócio correspondente. Oliveira Martins também era sócio do Instituto de Coimbra, e de diversas sociedades científicas nacionais e estrangeiras. 

Em 1881 fez parte da comissão distrital do Porto, no inquérito industrial, e redigiu o relatório da mesma comissão. Este relatório foi impresso em separado no Porto; e depois incorporado na edição oficial de Lisboa. Em 1884 foi nomeado membro da direcção do Museu Industrial e Comercial do Porto, e vogal da comissão encarregada de propor ao governo algumas providências tendentes a melhorar a situação das classes operarias, com respeito ao trabalho; aos salários, ás crises industriais, e a outros assuntos de interesse publico. As suas ideias avançadas o afastaram algum tempo dos partidos monárquicos, mas depois, mudando de orientação, passou ás fileiras da monarquia, fundando em 1885 o jornal A Província. Em 1883 foi deputado pela primeira vez, eleito por Viana do Castelo, e em 1887 o elegeu o círculo do Porto, sendo reeleito ainda em outras legislaturas. No ano de 1887 apresentou ao parlamento o seu projecto de lei sobre fomento rural. Dirigiu a Régie antes do actual monopólio do tabaco. Em 1888, a Associação dos Tipógrafos do Porto ofereceu-lhe uma estatueta simbolizando o trabalho, em tributo de reconhecimento pela protecção dispensada à classe. Fez parte da comissão executiva da Exposição Industrial Portuguesa com uma secção agrícola, que nesse ano de 1888 se realizou em Lisboa na Avenida da Liberdade. No estrangeiro, Oliveira Martins igualmente ilustrou o seu nome e o de Portugal. Assim, o representou em 1890 na conferência internacional de Berlim e nada Propriedade Industrial de Madrid, onde em 1891 foi convidado para a conferência realizada no Ateneu para a celebração do centenário de Cristóvão Colombo. Recebeu depois a grã-cruz do Mérito Nacional. Em 1892, no ministério que se organizou sob a presidência do Dr. Dias Ferreira; foi convidado para a pasta da fazenda, que geriu desde 17 de janeiro até 27 de Maio. Em 1893 foi eleito membro da Junta do Crédito Publico, exercendo nessa alta corporação, sob a qual seu pai e seu irmão tinham servido como empregados públicos, o lugar de vice-presidente.

Colaborou nos principais jornais literários e científicos de Portugal, corno: O Arquivo Pitoresco, Ocidente, Dois Mundos, publicado em Paris; Revista Ocidental, Revista Científica, Revista de Portugal, Revista de Educação e Ensino; além dos jornais políticos: A Província, O Tempo, Jornal do Comércio, O Repórter, Protesto, e em outros jornais socialistas; no Cruzeiro, do Rio de Janeiro, e outros jornais do Brasil, para onde escrevia correspondências. Em 1873 entrou numa notável polémica acerca do livro do sr. conselheiro Júlio de Vilhena, As raças históricas da península ibérica, sendo o seu primeiro artigo de análise inserto no Jornal do Comércio de julho do mesmo ano. O sr. Júlio de Vilhena respondeu a esta apreciação com quatro artigos, sob o título: Do lugar da idade média na historia da civilização, resposta ao sr. Oliveira Martins, no Jornal do Comércio, de 6, 7, 8 e 9 de Agosto. O sr. Júlio de Vilhena ainda respondeu às novas explicações do seu contendor no jornal de 10 de setembro. Em 1879, de acordo com os editores Viúva Bertrand & C.a, sucessores Carvalho & C.a, fundou uma Biblioteca das ciências sociais, de que saíram alguns tomos. A morte de Oliveira Martins foi muito sentida. Na câmara dos deputados fez o sr. conselheiro Francisco da Veiga Beirão o seu elogio histórico, na sessão de 24 de outubro de 1891. No ano de 1903, uma comissão de amigos dedicados de Oliveira Martins mandou erigir no cemitério dos Prazeres um jazigo monumento à sua memória, para onde foram trasladados no dia 21 de novembro desse ano os seus restos mortais, que se conservavam depositados no jazigo de sua família. Conjuntamente foram recolhidos no novo jazigo os restos mortais de sua mãe, D., Maria Henriqueta Morais de Oliveira, sendo os ofícios fúnebres celebrados na capela do cemitério. O túmulo é trabalho do apreciado escultor Teixeira Lopes, assim como a estátua da História, que se vê ali colocada.

Do principio federativo e sua aplicação á península hispânica: série de artigos no Jornal do Comércio, de 19, 21, 21, 24 e 25 de setembro de 1869; Os Lusíadas; ensaio sobre Camões e a sua obra, em relação à sociedade portuguesa e ao movimento da renascença, Porto, 1872; Portugal e socialismo; exame constitucional da sociedade portuguesa e sua reorganização pelo socialismo, Lisboa, 1873; Teoria do socialismo; evolução política e económica das sociedades na Europa, Lisboa, 1873; Teófilo Braga e o cancioneiro; A reorganização do Banco de Portugal, Porto, 1877; As eleições, Porto, 1878; O helenismo e a civilização cristã, Porto, 188; A circulação fiduciária, etc., Lisboa,.1883; Historia da civilização ibérica, Porto, 1880; Historia de Portugal, 2 tomos, Porto, 1882; O Brasil e as colónias portuguesas, Porto, 1881; Portugal contemporâneo, 2 tomos, Porto, 1881; a respeito desta obra escreveu José Joaquim Rodrigues de Freitas uma extensa carta ao autor, impressa em separado, com o título de Portugal contemporâneo do sr. Oliveira Martins, Porto, 1881; Elementos de antropologia; história natural do homem, Porto, 1881; As raças humanas e a civilização primitiva, Porto, 1881; A linguistica; Sistema dos mitos religiosos, Porto, 1882; Quadro das instituições; primitivas, Porto, 1883; O regimen das riquezas, elementos de chrematistica, Porto, 1883; Tábuas de cronologia e geografia histórica; Portugal nos mares; Navegação e descobrimentos dos portugueses; Historia da republica romana; Phebus Moniz; O artigo «Banco» no Dicionário Universal; Política e economia nacional; Elogio histórico de Anselmo Braamcamp; O empréstimo português de 1832; Carteira dum jornalista; Portugal em África; Inglaterra; Inglaterra de hoje; A população e a emigração; Teorias das instituições políticas; Geografia política e estatística das nações; Os filhos de D. João I; D. Nuno Alvares Pereira. Quando faleceu andava escrevendo um livro de crítica histórica do tempo de D. João II, que foi, depois concluído por Carlos Lobo de Ávila. V. Lobo de Ávila (Carlos).

Informação retirada daqui
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